
Lançado em agosto do ano passado no Xbox Live Arcade, Braid conseguiu superar todas as elevadas expectativas que foram geradas nos seus três anos de desenvolvimento. Ansiosamente aguardado desde que as primeiras informações começaram a circular sobre o seu engenhoso mecanismo de manipulação do tempo, o título, idealizado por Jonathan Blow, somente tinha uma pequena falha: não estar disponível para os PCs, plataforma reconhecidamente popular entre os apreciadores do gênero. Esse descuido, no entanto, foi finalmente sanado na semana passada.
E valeu a espera. Apesar do título ser praticamente idêntico com a edição que foi lançada para o console da Microsoft, algumas excelentes novidades foram incorporadas nesse meio tempo. A primeira, e mais relevante, é o suporte a nove idiomas (incluindo o português de Portugal), característica que pode fazer a diferença para os que gostariam de se aprofundar na trama envolvente e que, às vezes, pode ser intencionalmente confusa. Outro aspecto que se destaca é a inclusão de um editor de fases, que além de dar liberdade para quem quiser se aventurar na criação de estágios personalizados, servirá para aumentar consideravelmente a oferta de enigmas produzido por terceiros. Por último, mas não menos importante, está o aperfeiçoamento do sistema gráfico, que procura usufruir ao máximo as capacidades das atuais placas de vídeo para produzir visuais ainda mais belos e enriquecidos de efeitos.

Atravessar o precipício para alcançar a peça do quebra-cabeças é mais difícil do que parece. Ao contrário da maioria dos jogos de plataforma, ganhar impulso e saltar pela extremidade não surtirá o efeito desejado. Nesse caso, será preciso sincronizar o seu salto com o "disparo" de um inimigo. Se não fosse a capacidade de retroceder no tempo, completar essa tarefa seria extremamente frustrante.
A mais fácil e que inicia a jornada é Tempo e Perdão. Tendo como objetivo familiarizar o jogador com o conceito de controlar o tempo, todos os elementos presentes no universo são afetados ao mesmo tempo. Nessa etapa, a capacidade de retroceder serve basicamente para corrigir pequenas falhas, como encostar em um inimigo ou não conseguir o impulso necessário para saltar as plataformas mais distantes, entre outras.
A partir de Tempo e Mistério, o desafio começa a ficar mais complexo. Com elementos que são imunes às alterações realizadas na linha do tempo, será preciso analisar o comportamento dos objetos, sincronizando-os para conseguir capturar as peças e atravessar pelos cenários. Um chefão de fase também é introduzido.
Em Tempo e Lugar, há mais uma pegadinha. Nesse universo, a ação do tempo está amarrada com os movimentos de Tim. Por exemplo, ao se deslocar para a direita, o tempo avançará normalmente, mas caminhar para a esquerda produzirá o efeito contrário. Ao ficar imóvel, toda a ação será suspensa, representando a omissão do protagonista. Esse elemento abre novas e empolgantes situações, com enigmas que nem sempre têm uma solução óbvia.
Novos elementos são introduzidos nos dois universos seguintes. Por exigir que mais de uma ação seja realizada simultaneamente, Tempo e Decisão aborda o conceito de reproduzir todos os movimentos realizados por Tim antes de retroceder no tempo. Em Hesitação, um anel mágico, que pode ser transportado pelo cenário, tem como função influenciar o fluxo do tempo nos objetos que estiverem próximos. O melhor, no entanto, ficou para o final. Com o fluxo do tempo invertido, ele somente será avançado quando o jogador retroceder. Essa característica abre interessantes hipóteses sobre o destino ambíguo dos personagens, fechando de maneira fantástica a história.

Ao todo, estão incluídos seis universos, cada um com o seu castelo. Onde estará a princesa?
Com um conceito inovador, uma história intrigante e belíssimos cenários, Braid proporciona um entretenimento de qualidade para todos que que não dispensam resolver enigmas usando a criatividade. Uma versão gratuita de demonstração, que tem 119MB, por ser obtida visitando esse endereço e clicando no botão DEMO. Imperdível!












